MJS Freelancer

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Peter

"De casa de câmbios a posta-restante, de clube de iatistas a agência de informações, de atracção turística a sala de visitas internacional, "Peter" não é um simples café, mas uma instituição de renome mundial".
Já li, reli e escrevi imensas vezes esta e outras citações sobre o Peter Café Sport e não consigo encontrar palavras que me façam pensar o contrário.
Hoje, recordo com saudade o sr. Peter, o velhinho Sr. José que se sentava todas as manhãs e fins de tarde na mesa dois do Café Sport a cumprimentar com um sorriso aberto todos os que por ali passavam.
Estrangeiros, turistas, velejadores, açorianos e faialenses, para ele eram todos iguais.
Homem de uma sabedoria e cultura geral incrivel. Falava com toda a gente fosse em que lingua fosse e resolvia todo e qualquer problema que lhe fosse colocado.
Isto não é mito, nem "fama" por si só. É verdade. Privei com o Sr. José quase três anos e nunca vi aquele homem mal humorado ou ser rude com ninguém. Muito pelo contrário. Nem quando a doença o começou a ameaçar o vi baixar os braços e deixar de lutar. Sempre de sorriso aberto e um aperto de mão amigo.
Recordo-o com saudade e lembro com tristeza o dia em que nos deixou. "Há quem espere por nós assim, mesmo ao meio da rota do fim. Há quem tenha os braços abertos para nos aquecer e acenar no fim" - Já cantava Luís Represas ainda Trovante, na música que dedicou ao Peter's.
Este meu escrito surgiu a propósito da abertura de uma réplica do Café Sport na Ribeira do Porto.
É importante que não se deixe morrer a memória deste homem, mas também é importante que não se banalize, ou melhor dizendo, vulgarize, aquele que é o "porto de abrigo" de muitos.
Julgo que o seu filho, José Henrique Azevedo, está no bom caminho, perpetuando a imagem que um dia o seu Avô Ernesto Azevedo e o seu pai, tão habilmente construiram e solidificaram.
Ainda hoje continuo a frequentar o Peter Café Sport. Nas longas noites de inverno o seu ambiente acolhedor aquece os corações e é o ideal para dois dedos de conversa.
De Verão, com a sua esplanada, é agradável observar o movimento que ali se gera de locais e estrangeiros. A multiplicidade de culturas, linguas, hábitos e costumes é algo enriquecedor.
Mas é de manhã, ao pequeno-almoço, que dou por mim a olhar a mesa do canto e a saudade faz me lembrar aquele homem de coração grande.
Que a familia continue com o seu legado.

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