MJS Freelancer

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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Um brinquedo, um sorriso


Domingo passado dei a minha contribuição na campanha organizada pela Juventude Socialista açoriana e participei na campanha de solidariedade "Um brinquedo, um sorriso".

Durante duas horas estive no Hipermercado Modelo a distribuir folhetos e receber os brinquedos e alguns géneros alimentares que a população amavelmente nos ia deixando.

Mais do que uma iniciativa de uma força política esta campanha move mundos e fundos, passe a metáfora, e envolve muitas crianças.

Já é o terceiro ano em que participo, não por me considerar uma pessoa altruísta e daquelas que andam sempre a bater com a mão no peito a dizer que sim eu ajudo... Participo porque depois de ter tido oportunidade de ir bater à porta de crianças desfavorecidas e ter visto o seu sorriso sincero quando rasgavam aqueles lindos embrulhos, o meu coração estremeceu e fez-me ver que elas merecem.

São dois dias, um em que perco duas horas do meu tempo e vou ao Hiper. Ouço muitas baboseiras pela boca fora das pessoas. Um houve até, e pessoa bem colocada na nossa sociedade, que me perguntou se era para recolher ração para os "bau baus". Outros pura e simplesmente fazem de conta que não nos vêem e nem bom dia nem boa tarde, fogem de nós.

O bom senso e a educação, pelo menos nos seus princípios básicos e de acordo com o que os meus pais, pessoas humildes, me ensinaram, fazem-me crer que, mesmo que não me apeteça contribuir com nada, devo ao menos receber a missiva que me dão e cumprimentar as pessoas. Há gente para tudo?!?!

Mas voltando ao que interessa, a recolha foi positiva. No próximo fim-de-semana outros jovens vão lá estar e dias antes do Natal vamos distribuir os brinquedos e um cabaz por cada freguesia.

Custou-me ver que existem crianças que só recebem os nossos presentes na noite de Natal... Que vivem em condições míseras, não que a pobreza seja um problema social muito grave no Faial. Eu diria mesmo que o maior problema é a preguiça dos pais dessas crianças. Sim, porque a maior parte dos que vi são filhos de pais novos e que pura e simplesmente vivem dos rendimentos mínimos e gastam o dinheiro na tasca.

Ora bolas, eu sou mãe e trabalho, até demais, mas trabalho para que nada falte à minha filha. Como é que existem jovens da minha idade cuja preocupação maior é saber onde está a garrafa da cerveja ou do vinho.

E ainda vem o nosso governo atribuir Rendimentos Minímos a esta gente?!?! Desculpem mas tenho que concordar quando o Paulo Portas diz que foi uma má medida.

Andamos nós a descontar para isto?

2 comentários:

Marla disse...

Pois é... O Rendimento Mínimo transformou-se realmente no cancro da nossa sociedade, e continua a alimentar muitos vícios. Mas realmente as crianças não têm culpa dos pais que têm... E no Natal, todos os meninos deviam receber pelo menos um presente. E campanhas como estas, em que algumas pessoas se esforçam para fazer com que isso aconteça, são o combustível que acende o verdadeiro espírito de Natal. Não é a iluminação na rua, nem as compras, nem todas essas coisas que, convenhamos, são muito boas, mas não são, por si só, o Natal.
Bem haja a quem de boa vontade perde alguns momentos da sua vida a tentar fazer da vida de outros, menos afortunados, melhor!

Eudelir disse...

Boas,

No meu humilde e talvez deslocado - na mente de alguns leitores - ponto de vista... E com a honestidade essencial e sincera relativamente ao caso abordado, faço questão de salientar, que o "cancro" da nossa sociedade não é um pormenor da mesma, mas sim, a própria! O caso que a redatora descreve, é um pormenor vergonhoso, entre outros tantos de um país que já não no meu tempo, nem no Seu, tinha ponta por onde "se lhe pegasse", tanto que nos dias que correm, é o rabo "do velho animal"... rabo que provavelmente dentro de uma ou duas decadas - no maximo - sera destacado do resto do corpo. Portugal como disse à uns anos, uma politica Alemã, é puro país de terceiro mundo que abre as portas da Europa ao mundo. Ora julgo que não é preciso dizer mais nada. E simplesmente vergonhosa e humilhante ser parte constituinte de uma nação, que se mutila gradualmente a si própria. Já para não falar do "zé povinho" - que pobrezinho - a cada dia que passa cada vez mais não tem onde cair morto.

Portanto esse é so um exemplo - importante claro e, muito até - da triste realidade daquilo que somos, porque nos fazem ser. Porque cá só se faz assim.