MJS Freelancer

MJS Freelancer

sábado, 19 de novembro de 2011

Arriaga eternizado na sua terra



Foi hoje devolvida à cidade da Horta, ao Faial e aos Açores, a memória requalificada e vivificada de Manuel de Arriaga.
A Quinta do Arco, residência permanente da família de Manuel de Arriaga e onde a ilustre figura faialense viveu a sua juventude até partir para Coimbra em 1861 é agora a Casa/Museu Manuel de Arriaga

CITO AQUI CARLOS CÉSAR

"Manuel de Arriaga foi um homem que se evidenciou pela sua integridade política, pela convicção com que defendeu os seus ideais e pela vontade de transformar o país numa sociedade mais justa, mais instruída e mais desenvolvida. Por isso, bem podemos dizer que Manuel de Arriaga é um daqueles que serviram e servem de referência às gerações que se lhes seguiram. O programa museológico adoptado para este equipamento parte, exactamente, da extrapolação desse perfil para uma reinterpretação à luz dos desafios políticos e éticos actuais. Desafios daqueles tempos, do nosso tempo e, afinal, de todos os tempos.

Tal como outros, antes e depois, Manuel de Arriaga é um dos contribuintes para o património indelével da doação açoriana à cultura portuguesa e universal. É natural, pois, que o celebremos e o façamos de forma durável.

 Homens como ele estão ainda mais expostos a enfrentar dissabores e grandes contrariedades ao longo da vida. Mesmo entre os seus e na sua terra natal. E assim aconteceu. Um deles, muito provavelmente neste meio, quando afirmou as suas convicções republicanas, ainda durante o regime monárquico: o seu pai, patriarca de uma família aristocrática faialense e miguelista convicto, não aceitando as opções político-ideológicas do filho, cortou relações com ele e rejeitou-o. Manuel de Arriaga carregou esse revés afectivo e foi trabalhar para sobreviver e concluir a sua formação universitária.

Em Coimbra, no meio académico, revelou os seus dotes oratórios e a sua capacidade argumentativa participando em tertúlias filosóficas e políticas, onde se encontravam, entre outras personalidades, também dois dos maiores intelectuais açorianos da sua geração – Antero de Quental e Teófilo Braga. Aí terá optado pelo republicanismo democrático, sem aderir aos radicalismos, rejeitando o anticlericalismo e o jacobinismo.

Homem de acção, organizou comícios e participou em manifestações. Pelo facto de ter liderado uma delas, por ocasião do Ultimato Inglês, contra a submissão do governo aos interesses estrangeiros, foi preso num navio, em conjunto com Jacinto Nunes, até ser amnistiado."


Sem comentários: