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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Atum

FOTO DR

O novo   Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas, apresentado pela Comissão Europeia contribuirá para a realização dos objectivos da reforma da Política Comum das Pescas e ajudará os pescadores no processo de transição para uma pesca sustentável, contribuindo também para a diversificação das economias das comunidades costeiras.  
Perante esta oportunidade colocam-se algumas expectativas, nomeadamente no que concerne ao atum. 
Bem nos recordamos, em pormenor, do tempo de ouro da pesca do atum. Um tempo, aliás, que fez parte das nossas vidas e que ficará para a história do povo açoriano como um dos períodos de maior desenvolvimento do arquipélago em termos de uma economia baseada na riqueza do mar.
Contou-me um amigo desse tempo que era intenso o movimento das traineiras novas e de alto porte, azuis ou avermelhadas, a apanhar isca junto às costas rochosas ou partindo para o largo em busca de cardumes; depois, à tarde, era a chegada aos portos de descarga: toneladas e mais toneladas de tunídeos, de tal maneira que, por vezes, se gerava uma pacífica competição entre os barcos dos armadores das ilhas deste Triângulo que se salientavam em todo o arquipélago. Havia até muita gente aqui na Horta que, ao cair do dia, ia até à beira do cais-sul do porto para assistir à chegada das traineiras, saber dos resultados de mais um dia de pesca e apurar quais os mestres-pescadores mais afortunados. 
Foi assim que se deram anos de franca expansão da pesca do atum no mar dos Açores, com expressivos resultados económicos para a Região e, acima de tudo, para uma classe piscatória que cresceu e arrecadou boas compensações monetárias de um trabalho muito duro, exercido sem horários, mas gerador de um melhor nível de vida. 
Importa registar que a pesca da albacora preencheu o vazio económico e de efeitos sociais deixado pela proibição forçada da caça à baleia, pelo menos nas ilhas do Pico e Faial onde ela tinha maior expressão. 
A desactivação da pesca do atum no mar dos Açores foi o resultado, após anos sucessivos de boas safras, da queda do aparecimento da espécie nesta zona, o que teria dado motivo a um abandono progressivo da actividade.
Mas não podemos esquecer que foram dadas compensações monetárias da Comunidade Europeia aos armadores para desmantelarem as embarcações. Com isto, em Bruxelas começou-se a tentar trilhar um caminho no sentido de promover a pesca do atum a outras frotas que não as portuguesas. 
Agora, Portugal está novamente a tentar encontrar uma forma de rentabilizar a pesca do atum, mais concretamente do atum rabilho, que tem um valor comercial bastante elevado, Este produto tem grande potencial não só no mercado do Japão mas também por toda a Europa, potencial esse que é preciso explorar.
Mas pensemos... será que não se está, uma vez mais, a voltar ao passado? O que antes não era bom agora já é?
Não se podem mandar abater dezenas de barcos para, menos de uma década depois, se chegar à conclusão de que, afinal, até era uma actividade frutífera. Vamos ter o quê agora? Armadores que receberam subsidio para abater as suas traineiras a receber outros subsidios para tornar a construir?


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