MJS Freelancer

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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

“Agora, Inês é morta"



Esta frase que se tornou dito popular, expressa a mais profunda sensação de incapacidade humana perante o amor. Refere-se a tudo o que dói na alma perante à impossibilidade de amar. Estamos perdendo a capacidade, não de amar, mas sim de aceitar os sentimentos advindos do amor?
Não vamos escrever um texto lírico, nem sequer uma história de amor, mas a verdade é que esta frase é deveras apropriada ao encerramento da Estação Radio Naval da Horta, acontecimento que abriu a semana por cá no Faial. 
Esta medida vinha a ser analisada há uns anos a esta parte e foi tomada à revelia dos faialenses. Não se conhece viva-alma, pelo menos por cá, que tenha sido apologista desta medida, daí que não consigamos entender nem aceitar porque, mais uma vez, nos deixaram “sem rei nem roque”. 
Muita tinta rolou nos últimos anos sobre esta temática. Várias foram as promessas em tempo de campanha eleitoral, por parte dos vários partidos políticos, de que a Estação não saíria do Faial. Infrutíferas. 
Em 2003, recorde-se, chegou mesmo a ser afirmado por um comandante que por cá passou que “a Estação do Faial reune condições para ser a futura Estação dos Açores”, isto depois de vários estudos levados a cabo por várias entidades. 
Mas, mais uma vez, preferiram os nossos goverantes, despejar o Faial, é inevitável não o afirmar, porque o Governo Regional dos Açores cedeu os terrenos de Santana ao Ministério da Defesa para a construção da Estação dos Açores, e este não se fez rogado e resolveu “matar” o que tinhamos aqui. 
Os faialenses “fizeram barulho”? Piaram baixinho... porque não foi suficiente para se fazer ouvir, nem em Santana nem em Belém. Ora, há que mudar, logo à partida, a atitude do faialense e a cultura de funcionalismo público que impera e temos que, como bem dizia alguém nas redes sociais e bem, “temos de nos questionar a nós próprios e não procurar sempre bodes expiatórios em S. Miguel ou onde quer que seja.”
Não podemos continuar a baixar os braços e a aceitar, de cabeça baixa tudo o que nos dão. Qualquer dia passamos a instância de férias e deixamos de ser uma cidade com direitos e deveres. 
Ao fim de 84 anos de atividade, a Estação Rádio Naval da Horta foi desativada. É triste, mas é a realidade e de que serviu as autoridades locais recusarem participar na cerimónia de encerramento? De nada! O presidente da autarquia protestou a decisão, mas fez-se representar numa cerimónia com tanta pompa que mais parecia uma inauguração. 
Há que pensar, ainda a propósito, o que vai acontecer a alguns dos militares fixaram residência e constituiram família cá? Vão de armas e bagagens com mulheres e filhos para Lisboa. Parece simples mas não é. 
O que vão fazer aos seis blocos de apartamentos e aos vários edifícios de comunicações existentes? Vão ficar ao “Deus Dará”? A apodrecer até cair?  
Casa roubada, trancas à porta! Que nos sirva de exemplo para que, em situações futuras semelhantes, saibamos reclamar, falar, defender com “unhas e dentes” o que é nosso.  
Editorial de 11 de Janeiro de 2013 do Tribuna das Ilhas

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