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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Botes baleeiros

  Há valores, nomeadamente os culturais, que  permanecem ao longo do tempo, como algo que garante a unidade do tecido social e realça e promove a especificidade cultural de cada comunidade.
Pela importância socioeconómica que teve e pelo carácter épico-dramático de que se revestiu, a baleação deixou marcas  e  traços identitários na memória coletiva dos açorianos.
O tempo dos baleeiros,  de gente rija, de têmpera, já terminou e deixou marcas que nem o tempo apagará. Das grandes conquistas à perca de vidas humanas, a baleação passou por várias fases e deixou marcas em muitas famílias.
A proibição da caça à baleia não foi bem aceite por todos e, durante muitos anos, foi assunto quase que tabu, sobretudo no seio daqueles que, ao som da corneta largavam tudo para ir para o mar sem pensar que podiam  não voltar.
Hoje em dia a tradição da baleia está bem viva, não com a captura dos animais nem com a labuta na fábrica, mas com a recuperação dos botes  baleeiros e as inúmeras provas e passeios que têm sido promovidos, bem como com a reabilitação das antigas industrias e sua adaptação a espaços museológicos, sem esquecer as inúmeras obras que já foram editadas, bem como documentários televisivos.
Neste momento,  as comitivas do Faial e do Pico, se preparam-se para rumar a New Bedford, onde vão participar na Regata Internacional de Botes Baleeiros. Uma prova organizada por um emigrante faialense, nos seus primórdios, e agora pelo seu filho. Uma prova viva de que no sangue dos nossos emigrantes ainda ferve a paixão pelos Açores e pelas suas tradições.
Um unir de gerações, que ultrapassa os meandros da competição e permite estreitar laços de amizade entre duas cidades irmãs e que tem a singela capacidade de unir nas mesmas águas gentes com antepassados na baleação açoriana.
É importante que quem anda envolvido nestas coisas não perca o fôlego nem o ânimo.
Todavia, é importante que as forças vivas da nossa ilha, e mesmo dos Açores, continuem a olhar este projeto de frente e com olhos de ver. Que se continue a apoiar a recuperação destas seculares embarcações que engalanam as nossas zonas costeiras durante o estio de verão.
Como já escrevemos uma vez “Perpetuemos a nossa memória, reabilitemos o nosso património e o futuro evidenciará os resultados”.
Perpetuemos o que dizia Artur Faidoca, antigo baleeiro
“O meu sonho é baleeiro
Passo a vida só a sonhar
Com um bote bem ligeiro
À vela no alto mar.”
 

                           


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