MJS Freelancer

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quarta-feira, 2 de julho de 2014

TRABALHAR A INCLUSÃO

"Há palavras que exprimem, em certos momentos, o “espírito do tempo”. A palavra “inclusão” é uma delas. Praticamente desconhecida há uma década atrás, “inclusão” assumiu uma presença cada vez mais frequente nos discursos educacionais, sociológicos e políticos.
A palavra tornou-se de tal maneira comum que extravasou o seu significado social de forma que hoje é possível encontrar restaurantes com “menus inclusivos e até “bagagem inclusiva”. A palavra "inclusão" tornou-se quase imprescindível no discurso político, usada da direita à esquerda ainda que, certamente, com significados muito diferentes."
Mas o que significa estar incluído? A inclusão deve ser a possibilidade, a virtualidade ou a realidade de pertencer a uma sociedade que se quer de todos e para todos.
Como tal, merece-nos destaque neste editorial o papel que o Clube Naval da Horta e a APADIF têm tido neste contexto. Juntas estas duas entidades uniram sinergias e estão a trabalhar com as pessoas com deficiência, quer cognitiva quer física. Referimo-nos à modalidade de Acess – uma modalidade dentro da vela ligeira – que envolve quase uma centena de pessoas com deficiência na ilha do Faial e que, aos poucos, está a tentar implementar-se no Pico.
Estão a ser ultimados os preparativos para a organização do Campeonato Nacional de Acess na Horta. Mais de 30 velejadores, utilizadores de cadeiras de rodas estarão na nossa ilha para brilhar no mar. Mas importa que também lhes seja dada a oportunidade de brilhar em terra, e nesse campo as coisas parece que estão mais complicadas.
A cidade da Horta continua cheia de armadilhas arquitetónicas que urgem corrigir no sentido de proporcionar às pessoas com mobilidade reduzida, haja ou não campeonatos, uma melhor capacidade de se autonomizarem.
Este tema não é novo, aliás, já foram desenvolvidos alguns estudos a este respeito, que foram, posteriormente e ao que sabemos, apresentados às autoridades/entidades competentes.
Sabemos também que alguns passeios foram rebaixados, mas, com exclusão de isso, pouco ou nada foi feito no sentido de melhorar e colmatar estas lacunas.
Importa então que as entidades passem a olhar estas pessoas com dificuldades de locomoção de forma diferente. Que as olhem com o verdadeiro espírito da inclusão patente em si, porque somente assim poderemos fazer verdadeiramente a diferença.
Ser uma sociedade verdadeiramente inclusiva passa por isso mesmo, por criar as condições para que os outros possam ser incluídos e essas condições não podem ser só o criar de espaços para passarem o dia. Não se tratam de animais que estão enjaulados, mas sim de pessoas que se querem livres como o vento.



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