MJS Freelancer

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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O futuro dos OCS

Não vamos aqui falar de projetos para 2015 até porque isso já foi feito na edição da passada semana, mas vamos sim refletir sobre o que nos espera, a nós Órgãos de comunicação social, porque este ano ainda agora começou e já se está a revelar difícil.
Na sua última crônica de 2014 do diário insular, o caro colega Osvaldo Cabral punha o dedo numas quantas feridas que flagelam os media da região.
A falta de profissionais, a falta de financiamento próprio e a falta de apoio são os três vértices desta crise na imprensa regional.
A verdade dos factos, a verdade nua e crua é só uma: não há dinheiro.
A crise, tão apregoada e que serviu de mote a milhares de discursos quer políticos quer do cidadão comum também afecta, é muito, a comunicação social, ao ponto de alguns OCS terem dispensado, na última década, mais de 75% dos seus jornalistas e optado por recorrer aos programas governamentais de estágio, mormente o estagiar L e T ou mesmo o estagiar U para cobrir férias neste último caso.
É impossível, sem a entrada de dinheiro nos cofres das redações e respectivas administrações, que se mantenham quadros especializados e maduros. Todos nós sabemos que os anos de serviço contam para a progressão na carreira e isso implica maiores salários. Ora bem, as empresas neste momento, pura e simplesmente não podem pagar.
E não podem pagar porquê? Porque os empresários a investir em publicidade diminuiu drasticamente, porque os novos empresários viram na internet uma oportunidade de negócio, deixando de recorrer aos jornais para anunciar os seus produtos, optando pelas redes sociais...
A maioria dos jornais regionais já optou por estar On line, muitos deles a título gratuito, mas a verdade é que os milhares de blogs existentes na rede se tornaram quase co,o que virais e dificultam a vida de quem vive disto.
A par da falta de dinheiro também já vimos alguns jornais da nossa região fecharem portas, como o extinto Correio da Horta e mais recentemente A União, dois ícones da nossa imprensa...
A juntar a esta falta de verba, o facto do Governo Regional usar, sem pingo de vergonha, de dois pesos e duas medidas no que à atribuição de publicidade institucional diz respeito.
Temos vindo a assistir a situações que são de bradar aos céus. Surgiram no panorama regional OCS do nada.... Que, de um dia para o outro, são tidos como mais credíveis do que os que já andam há anos e com provas dadas, edição após edição, e que, por isso, absorvem toda a publicidade institucional. Isso está deveras mal.
É preciso analisar se tiragens, analisar se peças, e qualidade dos trabalhos levados a cabo nas respectivas áreas de intervenção... Um OCS que se limita a reproduzir notas de imprensa não é um OCS, é um gabinete de imprensa camuflado é pago a preço de ouro.
Esta recente polêmica em torno do pagamento do Promedia é ridícula. Como pode o estado pura e simplesmente, de um mês para o outro vir dizer que não tem dinheiro para cumprir aquilo com que se comprometeu, hipotecando assim, a vida é o posto de trabalho de umas quantas, ainda que poucas, famílias açorianas?
Orientem se senhores. Orientem se ou qualquer dia estamos sugados de comunicação social e, mal ou bem, com muitos ou poucos profissionais, somos nós quem dá eco do que os nossos governantes, eleitos pelo povo, vai fazendo. O vosso prestar de contas à população acontece através das nossas linhas...

Fica a dica.

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