MJS Freelancer

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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Viragem?

O último mês em Portugal ficou marcado pelas eleições primárias no Partido Socialista.
Pela primeira vez em Portugal um candidato a primeiro ministro foi escolhido através de sufrágio e não em congresso onde só participa uma quota parte dos militantes/simpatizantes do partido em causa.
De realçar de que se trata de uma decisão histórica abrir o partido à participação dos eleitores e à cidadania. Em vez de ratificarem a decisão do partido, os eleitores podem escolher o candidato a Primeiro Ministro.
A ideia é simples: nas primárias podem votar os inscritos no PS e os eleitores do PS que se declarem como tal. Eleições semelhantes já ocorreram em França e em Itália, são naturais nos EUA e o PSOE, em Espanha, também anunciou que vai realizar primárias.
Assistimos a quatro meses de campanha em que dois socialistas jogaram o seu futuro político.
Vencedores e vencidos à parte, importa frisar que Seguro ficará na história da democracia como o político que pela primeira vez introduziu, no grupo parlamentar, a liberdade de voto como regra nas votações na Assembleia da República; apresentou pela primeira vez uma lista paritária para uma eleição nacional (europeias) e, agora, a realização de primárias abertas a não militantes do PS para a escolha do candidato.
Não se sabe ao certo em que terá pensado António José Seguro quando se decidiu pelas primárias. Mas foi criticado de imediato: tais eleições não têm tradição em Portugal; os estatutos do PS não as preveem; era impossível organizá-las com tão pouca antecedência; o PS acabaria desgastado por uma prolongada disputa interna. Pois bem, as primárias revelaram-se uma rampa de lançamento para o PS e um palco para o seu líder.
A grande mobilização dos socialistas a este ato demonstra que os quatro meses de "campanha" foram positivos.
Mais do que a divisão dentro do partido, assistimos sim a uma união de socialistas se tivermos em linha de conta o número de votantes.
Neste ato eleitoral, ao contrário do que se tem verificado nós últimos tempos, não vendeu a abstenção.
A questão que se coloca agora é: será este um ponto de viragem? Será o presságio de que nas próximas eleições os resultados vão ser diferentes? Será que a abstenção vai ser substituída por uma grande afluência às urnas? Será que as pessoas já ganharam consciência de que é preciso e essencial votar?

As opiniões sobre estas primárias foram bem diferentes. Houve quem considerasse este sufrágio como "uma farsa para esconder responsabilidades passadas e intenções futuras".

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