MJS Freelancer

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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

RUBRICA - Da minha varanda na ilha Azul 1

Os desafios de viver numa ilha sem sabor tropical



Hoje, nesta que é a minha primeira coluna como articulista neste prestigiado jornal, começo por parafrasear “Bandarra”, a banda do Faial que sabiamente diz “mas eu vivo/ numa ilha sem sabor tropical”… realmente viver no Faial é ter tudo o que uma ilha tropical tem: águas cristalinas, natureza verde e estonteante, ar puro e acima de tudo, qualidade de vida. 
No entanto, nem tudo são rosas e como diz o escriba “tenho tudo o que preciso/desde o bem até ao mal”. 
É incrível pensar nos desafios que se nos colocam todos os dias e, no momento atual, pós ato eleitoral,  estes desafios ainda saltam mais à vida. 
É altura de pensar e refletir que desafios queremos para esta terra? 
Da minha varanda, com uma vista deslumbrante pela costa da Feteira e com o Pico defronte, assolam-me milhentas ideias, mas a que me consome é a ideia de ver o meu Faial, os meus Açores, transformados em polos turísticos massificados e penso no Azores Trail Run - Triangle Adventure que decorreu a semana passada. 
Penso que foi o Faial que as provas de Trail Run da Região começaram e é no Faial que atingem o seu climax. 
É magnífico e deveras reconfortante para quem cá vive, ver que, ano após ano, são cada vez mais aqueles que escolhem a Ilha Azul para vir correr. 
Todavia, convém não esquecer que não se trata apenas de vir correr. É muito mais do que isso. É apreciar o que temos de melhor: a nossa natureza, o nosso Parque Natural, a nossa terra, as nossas gentes. 
Já imenso foi escrito, por cá e por lá, sobre esta iniciativa do “Gru” Mário Leal. Entretanto, e nesta minha primeira intervenção nas colunas do Correio dos Açores, não consegui ficar indiferente e deixar de fazer menção à mesma. 
Parece-me ainda maior o facto desta prova ter crescido e ter resolvido alargar-se ao Triângulo, num momento em que “potenciar o Triângulo” é tónica para imensos discurso, ver isto acontecer na mais pura essência, é de valorizar. 
A verdade é que, em três dias, centenas de atletas percorrem os trilhos da paisagem protegida da UNESCO, da Biosfera e das Maravilhas de Portugal. 
Milhares de fotos e comentários genuínos são partilhados nas redes sociais, fazendo alusão a paisagens, cheiros, sabores e gentes destes nossos Açores, deste nosso Triângulo, Faial, Pico e São Jorge. 
Será que este não será um conceito a adoptar? Abrir as nossas portas àqueles que verdadeiramente anseiam por uns Açores mais coesos e projetados no mundo?
O executivo já tem apostado numa projecção dos Açores através dos seus trilhos. Aliás, foi o mote da BTL este ano. Resta saber se é benéfico e para quem é benéfico porque, mais do que para os que nos visitam, importa que seja positivo para quem cá vive. Somos nós, açorianos de berço ou de coração, que temos que ser colocados em primeiro plano!
Penso então que este será o grande desafio que temos pela frente. Pensar o Faial, o Triângulo e os Açores como um todo, focado em quem cá vive. 
Pensar e delinear estratégias que garantam um futuro melhor para nós, que proporcione uma maior e melhor qualidade de vida também às gerações vindouras.

Os Açores têm que ser atrativos, senão corremos o risco de deixar escapar os nossos… 

In Correio dos Açores, 15 outubro 2017

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