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sábado, 21 de outubro de 2017

RUBRICA - Da minha varanda na ilha Azul 2

Incêndios, catástrofes, leis e afins



Os incêndios que assolaram Portugal Continental não foram indiferentes a ninguém.  Também nós, do nosso cantinho no meio do Atlântico, ficamos colados aos écrans da televisão a acompanhar os noticiários e a sofrer, ainda que indiretamente, a dor dos nossos conterrâneos. 
O que aconteceu é grave! Muito grave se pensarmos que tal foi feito por mão criminosa, ou seja, de propósito. 
Como é que alguém é capaz de protagonizar um gesto tão bárbaro como atear fogo à mãe natureza, sabendo que isso pode e vai colocar em risco vidas humanas. 
Não consigo conceber tal barbaridade e, no meu entender, mais do incutir responsabilidades aos nossos representantes políticos, é preciso responsabilizar os autores destes actos. Para tal, é imperativa uma revisão ao sistema judicial português para que as penas a aplicar, nestes casos, sejam mais severas.
Se é verdade que o Governo não tem culpa das temperaturas anormais que se têm feito sentir em Outubro, nem da seca que torna tudo mais inflamável ou do vento que ajuda a propagar as chamas com uma velocidade inacreditável, tem culpa das medidas de prevenção que não foram tomadas para evitar a catástrofe.

Por cá decorreu o primeiro encontro internacional sobre a pesca de atum com recurso à arte de salto e vara no edifício “Sociedade Amor da Pátria”, reunindo líderes mundiais envolvidos na pesca de atum com a arte de salto e vara e linha de mão para partilhar as melhores práticas, discutir soluções, avaliar a dinâmica social e económica das pescarias individuais e explorar formas de colaboração para o desenvolvimento do sector. 
Durante dois dias os olhos dos intervenientes deste sector de actividade, nomeadamente pescadores, comerciantes, governantes, investigadores e ONG’s, estiveram postos naquela que é a possibilidade de estreitar relações preparando-se para as crescentes exigências de mercado.
Desde a década de 50 do século passado que os Açores pescam atum com salto e vara. Estas pescarias fazem actualmente parte integrante da economia local no entanto, e conversando com os homens do sector, os armadores, aqueles que dia após dia vão para a labuta do mar, facilmente percebemos de que é uma arte que se depara com inúmeras dificuldades.
A tão aclamada frota azul quase não existe, pelo menos no nosso porto, e, numa altura em que o nosso peixe é cobiçado ainda é pouco valorizado, o que traz o desânimo para quem se dedica a esta pesca. 
É preciso apostar, no meu entender, num política de valorização desta arte de pesca para que os nossos pescadores não fujam dos mares e para evitar que atuneiros de bandeiras estrangeiras dominem os mares dos Açores. 

Ainda esta semana por cá, pela Ilha Azul, tomaram posse os novos orgãos autárquicos locais. A expectativa de ver como é que os dois maiores orgãos deliberativos e representativos do Faial, agora com líderes de cores partidárias diferentes, se vão entender é grande.
Esperamos todos nós, faialenses, que a relação seja harmoniosa e que se consigam pôr de parte picardias políticas a bem do nosso Faial. 
É altura de arregaçar mangas e defender aquilo que é nosso. De reivindicar o que temos direito. De nos afirmarmos no contexto regional. Afinal de contas, somos o berço da Autonomia.
A ver vamos!



In Correio dos Açores, 22 de outubro de 2017 

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