MJS Freelancer

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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

RUBRICA - Da minha varanda na ilha Azul (7)

Já começa a cheirar a Natal...

Apesar do frio ainda não ter chegado em força e de dezembro ainda estar por chegar, a verdade é que, um pouco por todo o mundo, já começa a cheirar a Natal.
Aos poucos as casas vão se engalanando, os Municípios vão apresentando os seus programas para a época natalícia, as ruas ganham cor com as luzes e ornamentações e até as montras do nosso comércio ganham outra vida, com claras alusões ao homem das barbas branquinhas e a tudo o que envolve esta data.
Nas escolas as solicitações para as festas de Natal proliferam e as listas de prendas começam a compor-se.
Vivemos numa época em que o consumismo impera e as pessoas tendem a esquecer-se do verdadeiro espírito do Natal, do verdadeiro significado desta quadra e atulham-se em compras e prendas, quase como que uma competição a ver quem compra mais e melhor.
Mais uma vez venho nos meus escritos lançar questões. Não se trata de um mero exercício de retórica, trata-se de questionar, de refletir sobre o verdadeiro significado das coisas e sobre as nossas reais intenções perante as situações que nos são colocadas.
É isto que nós queremos para o Natal? Um rol de prendas, de “tarecos” sem utilidade nenhuma? Ou queremos incutir nas nossas crianças o que os nossos pais e avós procuram transmitir-nos?
Eu sei o que quero! Quero que as minhas filhas olhem os outros com respeito, com atenção e sobretudo com igualdade. Não quero que menosprezem ninguém, nem tão pouco que julguem os outros pela sua idade, classe social ou crença. Quero que sejam amigas, que se coíbam de tecer considerações baseadas em “diz que disse” sobre os outros ou de fazer comentários menos abonatórios sobre quem quer que seja.
Desde sempre que fui ensinada e educada a dar de mim. É isto que tento transmitir às minhas crias. Vamos dar de nós, sem pensar em nós. Vamos trabalhar por causas e para causas.
Neste tempo do natal que se aproxima vamos perder uns minutos para dar a mão a quem precisa. Vamos tirar do nosso tempo para ir visitar os idosos que, a maior parte das vezes, só precisam de uma palavra amiga.
Actos tão simples como dar algo de que já não precisamos a alguém que está numa situação debilitada faz a diferença. Traz ao de cima o verdadeiro espírito do Natal.
Consegue imaginar como será o Natal daqueles que, em Portugal Continental, perderam todos os seus bens e os seus entes queridos? Qual será o espírito destas pessoas? Enquanto nós estamos todos atarefados a enfeitar as nossas casas, a pensar em fazer uma árvore mais bonita do que a do vizinho, em ter uma coroa maior do que a do ano passado, há quem não tenha nada. Há quem não vá poder abraçar um filho na noite de Natal. Há quem não terá uma noite de consoada com a mesa cheia de coisas boas e sobretudo de comida a mais que no dia seguinte é jogada fora.
Não estou a dizer que temos que nos privar das nossas coisas, dos nossos hábitos… estou sim a apelar que nos deixemos embeber pelo verdadeiro espírito do Natal e pensemos um pouco nos outros.

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