MJS Freelancer

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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

RUBRICA - Da minha varanda na ilha Azul (7)

Já começa a cheirar a Natal...

Apesar do frio ainda não ter chegado em força e de dezembro ainda estar por chegar, a verdade é que, um pouco por todo o mundo, já começa a cheirar a Natal.
Aos poucos as casas vão se engalanando, os Municípios vão apresentando os seus programas para a época natalícia, as ruas ganham cor com as luzes e ornamentações e até as montras do nosso comércio ganham outra vida, com claras alusões ao homem das barbas branquinhas e a tudo o que envolve esta data.
Nas escolas as solicitações para as festas de Natal proliferam e as listas de prendas começam a compor-se.
Vivemos numa época em que o consumismo impera e as pessoas tendem a esquecer-se do verdadeiro espírito do Natal, do verdadeiro significado desta quadra e atulham-se em compras e prendas, quase como que uma competição a ver quem compra mais e melhor.
Mais uma vez venho nos meus escritos lançar questões. Não se trata de um mero exercício de retórica, trata-se de questionar, de refletir sobre o verdadeiro significado das coisas e sobre as nossas reais intenções perante as situações que nos são colocadas.
É isto que nós queremos para o Natal? Um rol de prendas, de “tarecos” sem utilidade nenhuma? Ou queremos incutir nas nossas crianças o que os nossos pais e avós procuram transmitir-nos?
Eu sei o que quero! Quero que as minhas filhas olhem os outros com respeito, com atenção e sobretudo com igualdade. Não quero que menosprezem ninguém, nem tão pouco que julguem os outros pela sua idade, classe social ou crença. Quero que sejam amigas, que se coíbam de tecer considerações baseadas em “diz que disse” sobre os outros ou de fazer comentários menos abonatórios sobre quem quer que seja.
Desde sempre que fui ensinada e educada a dar de mim. É isto que tento transmitir às minhas crias. Vamos dar de nós, sem pensar em nós. Vamos trabalhar por causas e para causas.
Neste tempo do natal que se aproxima vamos perder uns minutos para dar a mão a quem precisa. Vamos tirar do nosso tempo para ir visitar os idosos que, a maior parte das vezes, só precisam de uma palavra amiga.
Actos tão simples como dar algo de que já não precisamos a alguém que está numa situação debilitada faz a diferença. Traz ao de cima o verdadeiro espírito do Natal.
Consegue imaginar como será o Natal daqueles que, em Portugal Continental, perderam todos os seus bens e os seus entes queridos? Qual será o espírito destas pessoas? Enquanto nós estamos todos atarefados a enfeitar as nossas casas, a pensar em fazer uma árvore mais bonita do que a do vizinho, em ter uma coroa maior do que a do ano passado, há quem não tenha nada. Há quem não vá poder abraçar um filho na noite de Natal. Há quem não terá uma noite de consoada com a mesa cheia de coisas boas e sobretudo de comida a mais que no dia seguinte é jogada fora.
Não estou a dizer que temos que nos privar das nossas coisas, dos nossos hábitos… estou sim a apelar que nos deixemos embeber pelo verdadeiro espírito do Natal e pensemos um pouco nos outros.

RUBRICA - Da minha varanda na ilha Azul (6)

Tecnologias. Sim ou Não?

A sociedade atual assiste a um novo paradigma, sobretudo no que às tecnologias diz respeito e com isso, a velocidade com que se dissipa informação tornou-se quase impossível de acompanhar.
Recordo-me quando, há quase duas décadas comecei a trabalhar no vespertino Correio da Horta. O acesso à informação era feito “face-to-face”. Era frequente ouvir passos apressados na velha escada de madeira rumo à redação. Com uma troca de olhares comprometidos, na maior parte das vezes, vários eram os protagonistas que se dirigiam ao diretor para lhe dar um exclusivo, uma primeira mão. Eram momentos de ansiedade, tentar perceber qual era a grande notícia que traríamos a lume naquela tarde.
Recordo ainda que, impreterivelmente às duas da tarde, era a hora certa de ir ao receptor das notícias da Agência Lusa ver que novidades nos saiam daquela máquina enorme e estranha.
O cheiro do papel de rolo que saía do telefax também é algo que alimenta as minhas memórias do tempo da Rua Comendador Ernesto Rebelo.
Quando tivemos acesso à internet pela primeira vez ainda acontecia com ligação telefónica. O som do estabelecimento da ligação era estridente, mas era uma “festa”.
Hoje em dia, contar isto aos mais novos, ou mesmo às minhas filhas, parece vindo de um filme da “era dos Afonsinhos”. Olho para trás com saudade, porque a relação pessoal que se mantinha com as fontes, com os verdadeiros protagonistas da informação, era muito, muito salutar.
A sociedade alterou-se a uma velocidade tal que se assiste a um desvirtuamento tal das relações interpessoais. Tudo está à distância de um click.
O acesso à tecnologia está na ponta dos dedos, dentro das nossas algibeiras, no pulso… são milhentos os dispositivos eletrónicos de que dispomos e que, diga-se em abono da verdade, nos vieram simplificar a vida.
Mas será que nos vieram dar mais qualidade de vida?
Todos os dias vejo famílias a almoçar de telemóvel na mão, desde o pai à mãe, passando pelos filhos, avós… eu própria também faço isso, apesar de reconhecer que é mau!
Neste aspeto, considero que as tecnologias afastaram as famílias, e é nesse campo que acho que devemos intervir. Parar e pensar. Estabelecer limites.
Portugal é dos países europeus onde os jovens estão mais dependentes das novas tecnologia. Li isto numa noticia esta semana no jornal Público e fiquei aterrorizada.
Cadê os miúdos que correm na rua? Que jogam à bola? Que saltam à corda? Será que pertencem todos ao meu passado? À minha infância?
As novas tecnologias já fazem parte da vida de qualquer pessoa, de uma maneira geral as pessoas tornam-se dependentes dela, e isso torna a vida de qualquer um mais facilitada e proporciona muitas melhorias no seu quotidiano, é verdade, mas temos que analisar e ponderar o que é importante.
A evolução da tecnologia, assim como o acesso à mesma foram muito rápidas. Houve pouco tempo para aprender a utilizá-la com conta, peso e medida.
No que diz respeito aos jovens foi dado um salto muito rápido na disponibilização do acesso, sem tempo de aprender a utilizar e a integrar de forma equilibrada. Eles entram nos chats, na internet, nos jogos online, nos blogs. Chegam ao ponto de acordar a meio da noite para um ataque num jogo de guerra, ou para dar atenção nos jogos de cultivo das quintas.
Vamos pensar nestas temáticas. Vamos olhar para dentro das nossas casas e reflectir sobre se isto é o que queremos.




quinta-feira, 16 de novembro de 2017

RUBRICA - Da minha varanda na ilha Azul (5)

De pequenino é que se torce o pepino


A expressão não é minha, o ditado é antigo mas a verdade é que está sempre atual, uma vez que é desde pequenino que se deve ter cuidado com a educação, alimentação, atuação em sociedade, entre outros aspectos estruturantes.
É cada vez mais pertinente que se comecem a olhar as nossas crianças como os adultos de amanhã, nomeadamente no que aos processos educativos diz respeito, por forma a que, o processo de aprendizagem seja feito de uma forma lenta e gradual mas que promova um desenvolvimento harmonioso do ser humano, mormente nos seus aspetos intelectuais, morais, físicos e mesmo no que à sua inserção na sociedade diz respeito.
É ponto assente e que reúne consensos dos vários quadrantes envolvidos, que a educação deve ser cultivada desde o berço pois é de pequenino que se molda o caráter e a personalidade da pessoa. Não é nas escolas ou mesmo nas universidades que se aprende a ser educado. A educação vem do berço, ou seja, vem de casa. Nas escolas, nos trabalhos, nas universidades, aprende-se a ser egoísta fruto da grande competitividade com que se deparam as nossas crianças. É o querer ser melhor do que os outros.
Quais as tendências das sociedades atuais que importa identificar como estruturantes? Qual o papel do conhecimento no desenvolvimento económico, social e cultural? Como potenciar a interação entre conhecimento e capacidades individuais na construção da relação entre ensino e aprendizagem? Quais os perfis de formação adequados à capacidade das novas gerações em torno dos pilares fundamentais: liberdade/autonomia, cidadania/valores, desenvolvimento/ conhecimento/capacidades? Como conciliar equidade e diferenciação dos trajetos educativos? Como adequar as capacidades desenvolvidas às oportunidades criadas pela sociedade e pela economia? São algumas das perguntas que nos apraz fazer quando confrontados com estas temáticas de educação.
O diretor do departamento de educação da OCDE afirmou recentemente que “Portugal tem obviamente assistido a um enorme progresso, mas precisa de ter cuidado para educar as crianças para o seu próprio futuro e não para o nosso passado.”
Depois de ter experimentado a via do ensino no primeiro ciclo, estou convicta de que limitar a educação à transmissão de conhecimento académico é correr o risco de estupidificar os alunos, reduzindo-os à competição com os computadores, ao invés de focar em características humanas fundamentais que permitem que a educação fique à frente dos progressos tecnológicos e sociais.
Pensar sobre a verdade, domínio do conhecimento humano e da aprendizagem; sobre o belo, domínio da criatividade, da estética e do design; sobre o bem, domínio da ética; o justo, domínio da vida política e cívica; o sustentável, domínio da saúde da natureza e física são alguns exemplos que se me ocorrem.
Os pais e as famílias não se podem despir dos seus papeis de educadores, do mesmo modo que a escola não se pode fechar em si e para si.
Estamos no bom caminho, as estatísticas assim o dizem, mas ainda é preciso mais e mais.
Vejamos o exemplo concreto do Faial em que as diversas instituições têm feito um esforço para educar os mais pequenos. Esse esforço tem sido recompensado com galardões da mais diversa índole, mas sobretudo pelo facto de termos uma ilha mais amiga, quer das pessoas, quer do ambiente.


RUBRICA - Da minha varanda na ilha Azul (4)


Há quem diga que a tradição já não é o que era, mas em Portugal há tradições que ainda perduram. Uma delas é o Pão por Deus que, ao longo dos tempos, tem passado de geração em geração.
Na manhã do dia 1 de Novembro, dia de Todos os Santos, as crianças juntam-se em pequenos grupos e vão de porta em porta a pedir “Uma coisinha de Pão por Deus, pela alminha dos seus” a ver quem enche o saco de guloseimas primeiro.
Por cá, ano após anos, a tradição tem se mantido viva e, sobretudo nas freguesias rurais, os mais pequenos lá vão, com sorrisos rasgados, percorrer as ruas.
Importa reter que esta tradição portuguesa tem muitas semelhanças com o Halloween norte-americano. Podem parecer duas coisas diferentes, mas há semelhanças entre o “Trick Or Treat” e o nosso “Pão por Deus”. Quer isto dizer que nós andamos a copiar as ideias dos americanos?
Não me parece... parece-me sim que, um pouco por todo o mundo há tradições semelhantes.
Nos Estados Unidos, as crianças percorrem as casas dos vizinhos na véspera do Dia de Todos os Santos a pedir doces, mas, em Portugal, essa visita é feita na manhã do feriado, sem conotações sobrenaturais ou ameaças de partidas a quem não tiver nada para dar.
Antigamente davam-se maçarocas de milho, batata doce, castanhas, bolos de massa doce, rebuçados, figos passados, etc, ou seja, dava-se o que a terra dava!
Hoje em dia as saquinhas de retalhos viraram mochilas e são cheias de guloseimas.
Com a crise que nos assola e que serve de desculpa a todos os apertos de cinto com que somos brindados todos os dias, e refiro-me aos cortes nos ordenados, ao aumento dos impostos, e, de uma forma geral, às medidas de austeridade, não nos esqueçamos de que as crianças são a nossa alegria e de que, neste dia, há que as fazer feliz.
A 1 de Novembro também é hábito as pessoas irem ao cemitério arranjar as sepulturas dos seus entes queridos que já faleceram, com flores, que por tradição nesta altura do ano são crisântemos, já que no dia seguinte se comemora o "Dia dos Fiéis Defuntos".

Como alguém disse um dia “O Pão por Deus é a nossa tradição e um povo que mantém a tradição é um povo feliz”.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

RUBRICA - Da minha varanda na ilha Azul 3

Celebrar a Igualdade

Esta semana, um pouco por todo o país, comemorou-se a Igualdade.
Porquê trazer este tema hoje a esta coluna? Se calhar porque os tempos mudaram, os paradigmas também e é cada vez mais importante começarem-se a fomentar valores na nossa sociedade.
Os valores e princípios já existem, cada qual se rege pelos que lhe foram transmitidos ao longo da sua vida, no entanto, as constantes mutações da sociedade obrigam a que o indivíduo seja capaz de se adaptar a essas mutações.
Viver numa sociedade multicultural já não é algo estranho, aliás é cada vez mais normal. Mas será que estamos preparados para isso?
Viver numa sociedade multicultural implica saber respeitar os outros, aceitar as diferenças e sobretudo aprender a viver em sã convivência com todos, ou seja, saber respeitar o outro de igual para igual.
Daí que, no meu entender, seja pertinente fomentar todas as iniciativas que versem a Igualdade.
Parece-me igualmente pertinente que essas iniciativas sejam levadas a cabo junto dos mais novos. Apesar de ser clichê, a verdade é que o nosso futuro são as crianças. Os homens de amanhã são as crianças de hoje. Se assim é, se queremos preparar os nossos filhos para os desafios de viver em multiculturalismo, temos de os ensinar o que é a igualdade.
Isso começa com pequenos passos como tratar de forma igual menino e menina. Choca-me que haja quem tente que sejam implementados, por exemplo, livros para meninas e meninos.... ainda bem que abortaram essa ideia... estaríamos a abrir um precedente que nos faria recuar anos e anos no tempo... não é essa a sociedade que queremos!
Ensinar que pessoas de várias nacionalidades, etnias, religiões ou mesmo cor de pele, são iguais, têm os mesmos direitos e deveres é fundamental.
Na cidade da Horta, levou-se às escolas profissões tipicamente masculinas que são desempenhadas por mulheres e as que, culturalmente associadas às mulheres são exercidas por homens.  
É necessário promover uma sociedade que se quer livre e respeitosa em relação a todos e a todas, onde a multiculturalidade seja encarada enquanto um aspeto positivo para o enriquecimento pessoal de cada pessoa. 
Numa semana em que um juiz aplica uma sentença a uma mulher adúltera que mais faz lembrar um episódio do século XIV, torna-se evidente que estas questões ainda têm um grande caminho a trilhar. 
Pergunto-me, como pode um homem da justiça, sentenciar um ser humano, neste caso uma mulher, daquela forma? É que nem na pré-história se admitia algo deste género, quanto mais nos tempos que correm?
E se fosse ao contrário? E se fosse o Homem o adúltero? Seria a mulher traída aconselhada a “che-gar-lhe a roupa ao pêlo ou dar-lhe uma valente carga de lenha?”
Não é ficção nem é anedota. É um episódio real, em pleno séc. XXI e num país da União Europeia!  
Compreendo que haja gente diminuída intelectualmente, agora, um acórdão de um Tribunal da Relação produzir tamanha verborreia e fundamentar nestes argumentos a sua decisão? Não aceito! Não é para isto que temos vindo a lutar. Temos vindo sempre a lutar pela IGUALDADE!

In Correio dos Açores, 28 de outubro 2017

sábado, 21 de outubro de 2017

RUBRICA - Da minha varanda na ilha Azul 2

Incêndios, catástrofes, leis e afins



Os incêndios que assolaram Portugal Continental não foram indiferentes a ninguém.  Também nós, do nosso cantinho no meio do Atlântico, ficamos colados aos écrans da televisão a acompanhar os noticiários e a sofrer, ainda que indiretamente, a dor dos nossos conterrâneos. 
O que aconteceu é grave! Muito grave se pensarmos que tal foi feito por mão criminosa, ou seja, de propósito. 
Como é que alguém é capaz de protagonizar um gesto tão bárbaro como atear fogo à mãe natureza, sabendo que isso pode e vai colocar em risco vidas humanas. 
Não consigo conceber tal barbaridade e, no meu entender, mais do incutir responsabilidades aos nossos representantes políticos, é preciso responsabilizar os autores destes actos. Para tal, é imperativa uma revisão ao sistema judicial português para que as penas a aplicar, nestes casos, sejam mais severas.
Se é verdade que o Governo não tem culpa das temperaturas anormais que se têm feito sentir em Outubro, nem da seca que torna tudo mais inflamável ou do vento que ajuda a propagar as chamas com uma velocidade inacreditável, tem culpa das medidas de prevenção que não foram tomadas para evitar a catástrofe.

Por cá decorreu o primeiro encontro internacional sobre a pesca de atum com recurso à arte de salto e vara no edifício “Sociedade Amor da Pátria”, reunindo líderes mundiais envolvidos na pesca de atum com a arte de salto e vara e linha de mão para partilhar as melhores práticas, discutir soluções, avaliar a dinâmica social e económica das pescarias individuais e explorar formas de colaboração para o desenvolvimento do sector. 
Durante dois dias os olhos dos intervenientes deste sector de actividade, nomeadamente pescadores, comerciantes, governantes, investigadores e ONG’s, estiveram postos naquela que é a possibilidade de estreitar relações preparando-se para as crescentes exigências de mercado.
Desde a década de 50 do século passado que os Açores pescam atum com salto e vara. Estas pescarias fazem actualmente parte integrante da economia local no entanto, e conversando com os homens do sector, os armadores, aqueles que dia após dia vão para a labuta do mar, facilmente percebemos de que é uma arte que se depara com inúmeras dificuldades.
A tão aclamada frota azul quase não existe, pelo menos no nosso porto, e, numa altura em que o nosso peixe é cobiçado ainda é pouco valorizado, o que traz o desânimo para quem se dedica a esta pesca. 
É preciso apostar, no meu entender, num política de valorização desta arte de pesca para que os nossos pescadores não fujam dos mares e para evitar que atuneiros de bandeiras estrangeiras dominem os mares dos Açores. 

Ainda esta semana por cá, pela Ilha Azul, tomaram posse os novos orgãos autárquicos locais. A expectativa de ver como é que os dois maiores orgãos deliberativos e representativos do Faial, agora com líderes de cores partidárias diferentes, se vão entender é grande.
Esperamos todos nós, faialenses, que a relação seja harmoniosa e que se consigam pôr de parte picardias políticas a bem do nosso Faial. 
É altura de arregaçar mangas e defender aquilo que é nosso. De reivindicar o que temos direito. De nos afirmarmos no contexto regional. Afinal de contas, somos o berço da Autonomia.
A ver vamos!



In Correio dos Açores, 22 de outubro de 2017 

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

RUBRICA - Da minha varanda na ilha Azul 1

Os desafios de viver numa ilha sem sabor tropical



Hoje, nesta que é a minha primeira coluna como articulista neste prestigiado jornal, começo por parafrasear “Bandarra”, a banda do Faial que sabiamente diz “mas eu vivo/ numa ilha sem sabor tropical”… realmente viver no Faial é ter tudo o que uma ilha tropical tem: águas cristalinas, natureza verde e estonteante, ar puro e acima de tudo, qualidade de vida. 
No entanto, nem tudo são rosas e como diz o escriba “tenho tudo o que preciso/desde o bem até ao mal”. 
É incrível pensar nos desafios que se nos colocam todos os dias e, no momento atual, pós ato eleitoral,  estes desafios ainda saltam mais à vida. 
É altura de pensar e refletir que desafios queremos para esta terra? 
Da minha varanda, com uma vista deslumbrante pela costa da Feteira e com o Pico defronte, assolam-me milhentas ideias, mas a que me consome é a ideia de ver o meu Faial, os meus Açores, transformados em polos turísticos massificados e penso no Azores Trail Run - Triangle Adventure que decorreu a semana passada. 
Penso que foi o Faial que as provas de Trail Run da Região começaram e é no Faial que atingem o seu climax. 
É magnífico e deveras reconfortante para quem cá vive, ver que, ano após ano, são cada vez mais aqueles que escolhem a Ilha Azul para vir correr. 
Todavia, convém não esquecer que não se trata apenas de vir correr. É muito mais do que isso. É apreciar o que temos de melhor: a nossa natureza, o nosso Parque Natural, a nossa terra, as nossas gentes. 
Já imenso foi escrito, por cá e por lá, sobre esta iniciativa do “Gru” Mário Leal. Entretanto, e nesta minha primeira intervenção nas colunas do Correio dos Açores, não consegui ficar indiferente e deixar de fazer menção à mesma. 
Parece-me ainda maior o facto desta prova ter crescido e ter resolvido alargar-se ao Triângulo, num momento em que “potenciar o Triângulo” é tónica para imensos discurso, ver isto acontecer na mais pura essência, é de valorizar. 
A verdade é que, em três dias, centenas de atletas percorrem os trilhos da paisagem protegida da UNESCO, da Biosfera e das Maravilhas de Portugal. 
Milhares de fotos e comentários genuínos são partilhados nas redes sociais, fazendo alusão a paisagens, cheiros, sabores e gentes destes nossos Açores, deste nosso Triângulo, Faial, Pico e São Jorge. 
Será que este não será um conceito a adoptar? Abrir as nossas portas àqueles que verdadeiramente anseiam por uns Açores mais coesos e projetados no mundo?
O executivo já tem apostado numa projecção dos Açores através dos seus trilhos. Aliás, foi o mote da BTL este ano. Resta saber se é benéfico e para quem é benéfico porque, mais do que para os que nos visitam, importa que seja positivo para quem cá vive. Somos nós, açorianos de berço ou de coração, que temos que ser colocados em primeiro plano!
Penso então que este será o grande desafio que temos pela frente. Pensar o Faial, o Triângulo e os Açores como um todo, focado em quem cá vive. 
Pensar e delinear estratégias que garantam um futuro melhor para nós, que proporcione uma maior e melhor qualidade de vida também às gerações vindouras.

Os Açores têm que ser atrativos, senão corremos o risco de deixar escapar os nossos… 

In Correio dos Açores, 15 outubro 2017

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Ano novo

Mais um ano que finda, outro que começa e com este as decisões de Ano Novo. As redundâncias repetem-se, os clichés ipsis verbis...
Todos queremos paz, saúde, emprego, algum dinheirinho etc
Não sou exceção, mas não vou alongar este escrito focando-me nisso.
Este ano entro na maioridade no que à atividade jornalística diz respeito. 18 anos!
18 anos a exercer estas funções...
É tempo de pensar! De refletir!.
Fui "empurrada" para este mundo das lides da imprensa pelo saudoso Professor Ruben Rodrigues, sobre quem já aqui escrevi, se bem que ainda nunca consegui verbalizar o que verdadeiramente me vai na alma a seu respeito...Talvez um dia consiga honrar-lhe a memória.
18 anos a escrever, a relatar acontecimentos, factos, problemas, conquistas e anseios da população.
18 anos a ver a minha profissão, não a que escolhi mas a que me escolheu a mim, a ser enxovalhada por uns certos pseudo-inteletuais.
O que mudou? Imenso!
Pode não parecer mas há 18 anos atrás, no Correio da Horta, não tínhamos internet. Tínhamos um fax de rolo e um receptor de notícias da agência Lusa. E, como diz o meu amigo Armando Amaral, eu "nasci" numa época dourada, pois as coisas já eram feitas a computador, enquanto no tempo dele eram as letrinhas de chumbo emparelhadas que davam lugar a belos escritos.
Hoje tudo é mais fácil.
Hoje o jornalismo é muito mais acessível, mas não é por isso que é  melhor! A magia da profissão mantém-se mas já nada é como antigamente.
Porque 18 anos não são 15 dias sinto-me no direito de escrever o que me apetece! Não vou ofender ninguém, mas estou revoltada e hoje quero deixar isso bem evidente.
Revoltada com o nosso sistema que deixou que os órgãos de comunicação social se asfixiassem e começassem a fechar portas.
Não defendo subsídios.
A verdade é que se os tempos fossem melhores, se a conjuntura fosse outra, vivíamos muito mais desafogados. Os nossos anunciantes teriam fundo de maneio e nós receberíamos mais publicidade, logo, teríamos melhores condições de trabalho, mais capital... e capacidades técnicas e financeiras para fazer mais e melhor.
Os jornalistas de hoje, pelo menos dos meios pequenos, vivem com a corda ao pescoço. Sem saber até quanto têm trabalho. As fontes são cada vez mais escassas pois todos têm medo de falar. Ou melhor, medo de admitir o que dizem porque falar toda a gente fala.... "Os cães ladram e a caravana passa"...
Recentemente saiu uma lista das 10 piores profissões de 2015. Qual a que estava em primeiro lugar? O jornalismo de imprensa escrita.
Confesso que quando li aquilo fiquei para morrer. Parva! Pois já sabe, não é nada que eu já não soubesse... mas é algo que nem eu, nem qualquer outro profissional da área quer admitir.
Melhores ventos virão? Não me parece!

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Ser jornalista

Ser Jornalista é... 

Ser Jornalista é saber persuadir, seduzir. É hipnotizar informando e informar hipnotizando. É não ter medo de nada nem de ninguém. É aventurar-se no desconhecido, sem saber direito que caminho irá te levar. É desafiar o destino, zombar dos paradigmas e questionar os dogmas. É confiar desconfiando, é ter um pé sempre atrás e a pulga atrás da orelha. É abrir caminho sem pedir permissão, é desbravar mares nunca antes navegado. É nunca esmorecer diante do primeiro não. Nem do segundo, nem do terceiro... nem de nenhum. É saber a hora certa de abrir a boca, e também a hora de ficar calado. É ter o dom da palavra e o dom do silêncio. É procurar onde ninguém pensou, é pensar no que ninguém procurou. É transformar uma  simples caneta em uma arma letal. Ser jornalista não é desconhecer o perigo; é fazer dele um componente a mais para alcançar o objetivo. É estar no Quarto Poder, sabendo que ele pode ser mais importante do que todos os outros três juntos.

Ser jornalista é enfrentar reis, papas, presidentes, líderes, guerrilheiros, terroristas, e até outros jornalistas. É não baixar a cabeça para cara feia, dedo em riste, ameaça de morte. Aliás, ignorar o perigo de morte é a primeira coisa que um jornalista tem que fazer. É um risco iminente, que pode surgir em infinitas situações. É o despertar do ódio e da compaixão. É incendiar uma sociedade inteira, um planeta inteiro. Jornalismo é profissão perigo. É coisa de doido, de maluco beleza. É olhar para a linha tênue entre o bom senso e a loucura e ultrapassar os limites sorrindo, sem pestanejar. É saber que entre um furo e outro de reportagem haverá muitas coisas no caminho. Quanto mais chato melhor o jornalista.

Ser jornalista é ser meio metido a besta mesmo. É ignorar solenemente todo e qualquer escrúpulo. É desnudar-se de pudores. Ética? Sempre, desde que não atrapalhe. A única coisa realmente importante é manter a dignidade. É ser petulante, é ser agressivo. É  fazer das tripas coração pra conseguir uma mísera declaraçãozinha. É apurar, pesquisar, confrontar, cruzar dados. É perseguir as respostas implacavelmente. É lidar com pressão, pressão de todos os lados. É saber que o inimigo de hoje pode ser o aliado de amanhã. E a recíproca é verdadeira. É deixar sentimentos de lado, botar o cérebro na frente do coração. É ser frio, calculista e de preferência kamikaze. É matar um leão por dia, e ainda sair ileso. É ter o sexto sentido mais apurado do que os outros, e saber que é ele quem vai te tirar das enrascadas. Ou te colocar nelas.

Ser jornalista é ser meio ator, meio médico, meio advogado, meio atleta, meio tudo. É até meio jornaleiro, às vezes. Mas, acima de tudo, é orgulhar-se da profissão e saber que, de uma forma ou de outra, todo mundo também gostaria de ser um pouquinho jornalista. 

Sandro Miranda

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Captain Phillips

Neste final de ano e início de 2017 vi alguns filmes...

Captain Phillips com Tom Hanks...
Bem o filme e potente. É baseado numa história real de um navio de transporte de mercadorias que foi tomado de assalto por um grupo de piratas da Somália.

 "Richard Phillips (Tom Hanks) é um comandante naval experiente, que aceita trabalhar com uma nova equipe na missão de entregar mercadorias e alimentos para o povo somaliano. Logo no início do trajeto, ele recebe a mensagem de que piratas têm atuado com frequência nos mares por onde devem passar. A situação não demora a se concretizar, quando dois barcos chegam perto do cargueiro, com oito somalianos armados, exigindo todo o dinheiro a bordo. Uma estratégia inicial faz com que os agressores recuem, apenas para retornar no dia seguinte. Embora Phillips utilize todos os procedimentos possíveis para dispersar os inimigos, eles conseguem subir à bordo, ameaçando a vida de todos. Quando pensa ter conseguido negociar com os piratas, o comandante é levado como refém em um pequeno bote. Começa uma longa e tensa negociação entre os sequestradores e os serviços especiais americanos, para tentar salvar o capitão antes que seja tarde."

Adorei o filme.
Apesar de não ser o meu estilo... sim eu gosto imenso de filmes de gaija daqueles para chorar baba e ranho, achei que Tom Hanks esteve muito muito bem.
Gosto de filmes que se baseiam em histórias reais porque geralmente fazem nos pensar e este não é excepção.
Pensar que em pleno século XXI ainda há piratas nos nossos mares... que ainda existem povos que adoptam certas atitudes em prol de algo que não sabem se existe...
Recomendo. Há que ter estômago para ver o filme porque existem muitas mortes a mistura...




sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Bucket list...

Do I have a bucket list? I guess we all have one... we all have some stuffs that we would like to do, to achieve...
And of course the new year approach make us think a lot and even more about it...
But what is on my bucket list? 
I could say a trip, a car, a new job... but what I really want is more time with those I love, my daughters and my boyfriend...
I wish I had the chance to send everything back to hell... star a new project...
Let's see what 2017 will bring out to me... 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

quotes I enjoy

Never regret
 if it's good it's wonderful
If it's bad it's experience 

Im a plus size

Learn to love ourselves it's not easy. Simply because we are never happy with what we are, what we have, what we achieve.
So, yesterday evening I saw this amazing blog of a nice blogger:.. she calls herself plus size... 
as I've been fight against myself all
Foto DR
My life because of my plus size I got curious so I decided to read it
So, it's fucking amazing that blog
She is pretty as hell and she is god dam right... 
I love her thoughts and I also loved her looks
Yes it's possible fat people to look good on fashionable clothes
That gave me another self confidence
Why should I be fighting myself instead of accepting myself?!?!
This is one of New Years 2017 resolutions: be more positive about myself
Thank you 

http://aplussizegirlwholovesfashion.blogspot.com 

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Creme de dia Ecollagen 5***

Comecei a usar este hidratante da linha Ecollagen da Oriflame. 

Tem protetor solar factor 30 e, apenas em uma semana comecei a ver resultados excelentes. 
A minha pele está mais suave, tem mais elasticidade e noto que não ganhou brilho em excesso, isto é, aplico o creme e não fico com a cara a parecer um ovo acabado de estrelar .-P

Não é caro e ainda o comprei com 30% de desconto!
http://pt.oriflame.com/ecatalogue/Oriflame_Maria_Dia_Mae2016?per=201606#.VxPx3YpM-O8.gmail

A informação que vem associada ao produto é esta: 
Hidratante de dia "advanced performing" potenciado pela Tecnologia Tripeptídica e Extrato de Células Estaminais Vegetais de Solanaceae. Corrige as rugas, suaviza e alisa a textura, aperfeiçoando o tom com o uso contínuo. Gel-creme leve e hidratante, perfeito para a pele normal a oleosa e para climas húmidos. Delicadamente perfumado.

Pacotes de açúcar

Sim eu sou daquelas pessoas que traz consigo os pacotes de açúcar que não consome quando vai ao café!

Se pago por eles porque os hei-de deixar atrás?

É um hábito de largos anos e da qual não me arrependo.

Quem mais faz isto?

terça-feira, 8 de março de 2016

Efémero

Já há algum tempo que não vinha aqui... não por falta de vontade mas por falta de tempo... sim o eterno tempo que se nos escasseia por entre os dedos...

Mas hoje tive mesmo que vir... explanar o que me vai na alma e me atormenta...

Ontem faleceu um conhecido. Era jovem, andava na casa dos 40 anos... a esposa encontrou-o inconsciente, ainda chegou ao hospital com vida mas acabou por falecer após vários ataques cardíacos... Deixa a esposa e uma filha da idade da minha mais velha.

Isto tudo fez me pensar... o que raio andamos a fazer aqui? o que andamos a fazer nesta vida?

De um momento para o outro tudo acaba, tudo muda.

Num dia somos tudo, no outro não somos nada.

É cliché! São palavras ditas e ouvidas vezes sem conta, mas são verdadeiras...

Nos últimos tempos tenho pensado imenso nestas coisas. Levamos uma vida de correria, procuramos chegar a tudo e todos, agradar a tudo e todos, para quê?

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Hallelujah


Há músicas que nos marcam e que ficam na nossa memória para sempre... porquê? não sei explicar...

Porque marcam as gargalhadas que demos com este ou aquele amigo, porque nos fazem recordar uma lágrima que deixámos escorrer em certa altura da nossa vida... ou simplesmente porque sim. 

É verdade sou daquelas "gaijas pirosas" a quem as músicas dizem muito ou não dizem nada. 

Quando ouço música, seja rock, jazz, cumbia, pop, rock, vibro não só com a melodia como também com a letra...

Escrever canções é algo que não assiste a toda a gente. É algo que poucos conseguem fazer e felicito-os por isso. 

Em Portugal existem muitos bons compositores. Aliás, nos Açores existem bons compositores. a Eugénia Ávila Ramos é uma delas... faialense ainda por cima!

Mas este post surge porquê? Porque me apeteceu lol!

Porque estou a ouvir o Hallelujah e me apeteceu ...

A música faz-nos bem! Ajuda-nos a viver!

Ouçam música! Divirtam-se!

E já agora, que música vos marcou?


terça-feira, 17 de março de 2015

Associações de Pais

A escola deixou de visar apenas a transmissão de conhecimentos para privilegiar o desenvolvimento de capacidades e aptidões dos alunos e atitudes de autonomia pessoal e de solidariedade.
Mas, para que essa finalidade se cumpra, é necessário aproximar a escola do meio familiar e social em que a criança e o adolescente vivem, já que aos pais e encarregados de educação cabe um papel decisivo nesse desenvolvimento. 
Os pais poderão e deverão ter uma relação privilegiada com a escola desde o primeiro momento, como forma de transmitir ao aluno que se trata de um local em que os pais confiam e participam, deixando de alguma forma uma marca da sua presença, mesmo quando não estão lá fisicamente.
As atividades para as quais os pais são convidados, Festa de Natal, Carnaval, e outros, são excelentes oportunidades para os pais irem à escola. Podem e devem estar presentes, não só como forma de conhecer melhor os agentes interventivos na educação dos filhos, como desenvolver as relações com esses agentes e a proximidade.  
Facilmente percebemos que, cada vez mais, os pais e os encarregados de educação são chamados a intervir no processo educativo dos seus filhos ou educandos que se desenvolve no seio da escola.
Esta mudança de atitude da escola, tradicionalmente fechada sobre si mesma e sobre os seus métodos e programas, reclama que os pais e os encarregados de educação tenham também uma nova postura perante a escola. Neste processo de envolvimento dos pais na escola assumem particular importância as Associações de Pais.
É por tudo isto que, hoje, nesta coluna, vamos dar destaque ao facto de, no Faial, existir uma Associação de Pais na Escola Secundária Manuel de Arriaga com uma atividade regular e, sobretudo, congratular todos aqueles que, com esforço conseguiram pôr de pé a Associação de Pais da Escola Básica e Integrada da Horta.
Nunca é demais lembrar que a todos os pais e encarregados de educação assiste o direito de participar no processo educativo dos seus filhos ou educandos.
As Associações de Pais assumem cada vez uma maior importância. Assim como é cada vez mais importante que os pais tenham uma nova postura perante a vida escolar dos seus educandos, muito mais envolvente.
Um bem haja a todos estes pais que se predispuseram a dar do seu tempo para defender os interesses dos nossos filhos e uma palavra de incentivo a todos os outros para que respondam afirmativamente a reptos desta natureza.

As crianças de hoje são os adultos de amanhã. Os nossos adultos!

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Somos todos Açores!


O nosso estatuto editorial dita que defendamos todos os assuntos relacionados com o Faial. 
É defendendo a nossa ilha, reivindicando medidas e tomadas de posição que poderemos chegar a algum lado.
Todavia, e após o anúncio da redução da Base das Lajes a bomba de gasolina no meio do Atlântico merece que nos deixemos de bairrismos.
É hora de unir esforços e defender a Base das Lajes, aquela de onde tantas vezes recebemos “candies” com sabor a América. Trata-se de um assunto de âmbito global e que a todos diz respeito. 
Desta união de sinergias devem ainda fazer parte, não só as forças vivas da Região, como também os partidos políticos, sobretudo os com assento nas altas instâncias governamentais. 
Vamos aos factos, a  presença militar norte-americana  na Terceira constituiu um dos principais alicerces da relação luso-americana e um dos principais alicerces da economia daquela ilha. 
Ninguém pode ignorar que a saída dos americanos nas Lajes envolve custos na ordem dos 1.500 milhões de dólares, isto para além do enorme impacto económico e social. 
É evidente que diversas entidades  estão a reagir  à reanunciada e drástica redução da presença norte-americana nas Lajes e extinção de 500 postos de trabalho diretos.
José Pinto, professor da Lusófona, há um ano atrás escrevia nas páginas do Diário de Notícias: “Chamado Portugal, era uma vez um país. Era um retângulo que se deitou ao largo e construiu um império que misturou, em doses desiguais, o real e o imaginado. A certa altura da sua história, quando da Segunda Guerra Mundial, um arquipélago desse império chamado Açores assumiu uma importância fundamental para uma das fações beligerantes, os Aliados. (...) Em abril de 1974, o império entregou o corpo aos novos senhores. E, então embeiçado pela esperança da integração europeia, Portugal não teve visão para compreender a importância geoestratégica dos Açores. As contrapartidas negociadas para a manutenção da presença norte-americana na Base das Lajes foram escassas: uma verba temporária de 20 milhões de dólares/ano para a região e algumas medidas no âmbito de programas de cooperação e de assistência. E sempre dependentes da boa-vontade do Tio Sam, claro. Uma situação que, do ponto de vista regional, se agudizou quando os dólares foram substituídos por material destinado ao reapetrechamento das Forças Armadas portuguesas.”

Ainda vamos a tempo de “abrir o olho”. A bem dos Açores!

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Exames

Decorreram esta semana os exames de quarto e sexto ano de escolaridade das disciplinas de português e matemática. 
No ano passado somente 53% dos alunos do quarto ano tiveram aproveitamento na prova de língua portuguesa, o que, a nosso ver é preocupante, uma vez que estamos a falar em quase metade dos alunos  com negativa a uma disciplina tão importante. Acho até um bocado grave. É a nossa língua, e se a começam a maltratar logo desde pequeninos, teme-se o pior pela vida fora. Vamos a ver como correm as coisas este ano. 
Das criticas que ouvimos, apesar de extensa, a prova foi bastante mais fácil do que no ano passado. Será que foi um facilitismo ou será que os resultados do ano passado foram uma “sacudidela” para que a preparação para o exame fosse mais aprimorada?
A pergunta que se me apraz fazer é: será este exame mesmo necessário? Será necessário fazer as crianças de 9 anos de idade passarem por este “aperto”? Será que é mesmo um exame, dos inúmeros testes que têm que fazer ao longo do ano, que vai mostrar ao professor se os conteúdos estão ou não aprendidos?
Neste caso concreto do Faial, parece-nos que obrigar alunos das freguesias do campo a se deslocarem à cidade, onde têm que estar às 8h00 da manhã para fazer um exame é violento. 
Há mesmo esta necessidade de concentrar tudo num só espaço? Não era mais fácil fazer deslocar os professores vigilantes da prova às escolas em questão?
Reconhecendo que a mudança de paradigmas, de estratégias pedagógicas e de reformas é inevitável, uma vez que acaba por estar indexada a uma política educativa que acompanha políticas diferenciadas por diferentes governos de esquerda, de direita ou de centro. Ou da treta, passe a expressão, temos que pôr na balança o bem estar das crianças. Não lhes parece?
Numa primeira instância estou em crer que será pertinente transmitir alguns valores a par da necessidade de adaptabilidade e da abertura à mudança tão importantes em contexto escolar, para depois se avançar para algo deste género. 
Não querendo ser mais papista do que o Papa, a verdade é que estes alunos do quarto ano estão a poucos meses de verem a sua vida virar do avesso. É a mudança, agora sim, de escola, de professores, e o confronto com um maior número de disciplinas. São programas extremamente longos e exigentes, testes atrás de testes, trabalhos atrás de trabalhos. Será que, nesta recta final do ensino primário, têm que saltar da cama às 7 da manhã e menos, para ir fazer um exame que conta 30% para a nota final?
No tempo do país analfabeto era obrigatório fazer exame de 4.ª classe. Agora diz-se que o seu regresso é elitista...

Esperemos pelos resultados a ver… 

TRABALHAR A INCLUSÃO

Há palavras que exprimem, em certos momentos, o “espírito do tempo”. A palavra “inclusão” é uma delas. Praticamente desconhecida há uma década atrás, “inclusão” assumiu uma presença cada vez mais frequente nos discursos educacionais, sociológicos e políticos.
A palavra tornou-se de tal maneira comum que extravasou o seu significado social de forma que hoje é possível encontrar restaurantes com “menus inclusivos e até “bagagem inclusiva”. A palavra "inclusão" tornou-se quase imprescindível no discurso político, usada da direita à esquerda ainda que, certamente, com significados muito diferentes. 
Mas o que significa estar incluído? A inclusão deve ser a possibilidade, a virtualidade ou a realidade de pertencer a uma sociedade que se quer de todos e para todos. 
Como tal, merece-nos destaque neste editorial o papel que o Clube Naval da Horta e a APADIF têm tido neste contexto. Juntas estas duas entidades uniram sinergias e estão a trabalhar com as pessoas com deficiência, quer cognitiva quer física. Referimo-nos à modalidade de Acess – uma modalidade dentro da vela ligeira – que envolve quase uma centena de pessoas com deficiência na ilha do Faial e que, aos poucos, está a tentar implementar-se no Pico. 
Estão a ser ultimados os preparativos para a organização do Campeonato Nacional de Acess na Horta. Mais de 30 velejadores, utilizadores de cadeiras de rodas estarão na nossa ilha para brilhar no mar. Mas importa que também lhes seja dada a oportunidade de brilhar em terra, e nesse campo as coisas parece que estão mais complicadas. 
A cidade da Horta continua cheia de armadilhas arquitetónicas que urgem corrigir no sentido de proporcionar às pessoas com mobilidade reduzida, haja ou não campeonatos, uma melhor capacidade de se autonomizarem. 
Este tema não é novo, aliás, já foram desenvolvidos alguns estudos a este respeito, que foram, posteriormente e ao que sabemos, apresentados às autoridades/entidades competentes. 
Sabemos também que alguns passeios foram rebaixados, mas, com exclusão de isso, pouco ou nada foi feito no sentido de melhorar e colmatar estas lacunas. 
Importa então que as entidades passem a olhar estas pessoas com dificuldades de locomoção de forma diferente. Que as olhem com o verdadeiro espírito da inclusão patente em si, porque somente assim poderemos fazer verdadeiramente a diferença. 
Ser uma sociedade verdadeiramente inclusiva passa por isso mesmo, por criar as condições para que os outros possam ser incluídos e essas condições não podem ser só o criar de espaços para passarem o dia. Não se tratam de animais que estão enjaulados, mas sim de pessoas que se querem livres como o vento. 



Banhos públicos

A febre do banho público está aí e já são muitos os vídeos partilhados pelas redes sociais.
O desafio foi lançado pela ALS Foundation, uma fundação de apoio a doentes com Esclerose Lateral Amiotrófica, e tem como objetivo encorajar os famosos a divulgar os seus vídeos num prazo de 24 horas, caso contrário a doar 100 dólares. 
Trata-se de uma moda nacional e mundial que ganha cada vez mais adeptos entre algumas das maiores figuras públicas internacionais, interessadas em contribuir, através deste ato simbólico e de donativos, para a luta contra a esclerose lateral amiotrófica, uma doença grave, degenerativa e incapacitaste.
Nos Estados Unidos, a brincadeira dos banhos públicos transformou-se numa enorme ação de solidariedade. Milhares de norte-americanos estão a publicar vídeos na internet em que despejam um balde com água gelada na cabeça. 
Contudo os melhores vídeos são os que não correm como previsto e nem todos, sobretudo, cumprem o objetivo para o qual foram criados e o presidente da Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica já veio a lume dizer que a associação não está a ver um tostão desta campanha.
É importante que se reflita sobre as coisas e que não se façam coisas so por fazer… 
Não podemos pura e simplesmente imitar uma iniciativa que se queria de solidariedade e torná-la num jogo.
Não podemos ter meia dúzia de pessoas a levar com um balde de água fria em cima para não ter de pagar um jantar. Isso é ridicularizar quem se prestou a tomar um banho em prol de uma causa. 
Tem-se criado uma grande celeuma em volta destes desafios. As pessoas comentam que os banhos de água não ajudam ninguém, que os donativos é que interessam e que no fundo estes Banhos não passam de uma palhaçada para que alguns famosos se auto promovam.  
É claro que era bom que todos os baldes de água viessem associados a um donativo, melhor ainda, que não fossem precisos estes banhos para trazerem à baila um assunto tão sério. 
Mas a verdade é que com donativos ou não, os famosos estão a fazer a passar a palavra e muitas pessoas acabam por fazer doações, mesmo que não entrem no desafio. 
No ano passado, a campanha pública pela ELA deu 2,1 milhões. Neste ano, porque alguém inventou o vídeo do balde de água fria pela cabeça, a campanha já vai em 41 milhões…

É claro que seria ideal que todos os que tomam banho contribuíssem  mas depois a campanha chega a outras pessoas não famosas que fazem os seus donativos mais pequenos e pensam no final do ano em assignar os seu 0.5% de IRS a esta associação e nunca o fariam se esta "publicidade" dos famosos não existisse. São pequenos grãos, é verdade, mas grão a grão enche a galinha o papo!

Viragem?

O último mês em Portugal ficou marcado pelas eleições primárias no Partido Socialista.
Pela primeira vez em Portugal um candidato a primeiro ministro foi escolhido através de sufrágio e não em congresso onde só participa uma quota parte dos militantes/simpatizantes do partido em causa.
De realçar de que se trata de uma decisão histórica abrir o partido à participação dos eleitores e à cidadania. Em vez de ratificarem a decisão do partido, os eleitores podem escolher o candidato a Primeiro Ministro.
A ideia é simples: nas primárias podem votar os inscritos no PS e os eleitores do PS que se declarem como tal. Eleições semelhantes já ocorreram em França e em Itália, são naturais nos EUA e o PSOE, em Espanha, também anunciou que vai realizar primárias.
Assistimos a quatro meses de campanha em que dois socialistas jogaram o seu futuro político.
Vencedores e vencidos à parte, importa frisar que Seguro ficará na história da democracia como o político que pela primeira vez introduziu, no grupo parlamentar, a liberdade de voto como regra nas votações na Assembleia da República; apresentou pela primeira vez uma lista paritária para uma eleição nacional (europeias) e, agora, a realização de primárias abertas a não militantes do PS para a escolha do candidato.
Não se sabe ao certo em que terá pensado António José Seguro quando se decidiu pelas primárias. Mas foi criticado de imediato: tais eleições não têm tradição em Portugal; os estatutos do PS não as preveem; era impossível organizá-las com tão pouca antecedência; o PS acabaria desgastado por uma prolongada disputa interna. Pois bem, as primárias revelaram-se uma rampa de lançamento para o PS e um palco para o seu líder.
A grande mobilização dos socialistas a este ato demonstra que os quatro meses de "campanha" foram positivos.
Mais do que a divisão dentro do partido, assistimos sim a uma união de socialistas se tivermos em linha de conta o número de votantes.
Neste ato eleitoral, ao contrário do que se tem verificado nós últimos tempos, não vendeu a abstenção.
A questão que se coloca agora é: será este um ponto de viragem? Será o presságio de que nas próximas eleições os resultados vão ser diferentes? Será que a abstenção vai ser substituída por uma grande afluência às urnas? Será que as pessoas já ganharam consciência de que é preciso e essencial votar?

As opiniões sobre estas primárias foram bem diferentes. Houve quem considerasse este sufrágio como "uma farsa para esconder responsabilidades passadas e intenções futuras".

Recuperações

É com agrado que registamos a recuperação da fachada dos edifícios da Colónia Alemã, com destaque para o edifício onde durante longos anos funcionou o Conservatório Regional da Horta.
Este edifício, situado na Rua Marcelino Lima estava há muitos anos ao abandono, chegando a “dar dó” por lá passar.
Entendeu em boa hora a atual Presidência da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores arregaçar mangas, colocar as mãos à obra e o resultado está à vista. Temos um edifício de cara lavada.
Resta agora saber o que vão fazer dele. Não serve de nada dar um novo “look” e deixar novamente ao abandono. Esperemos que não fique por aqui e que dele façam bom uso, daria por exemplo um excelente museu da autonomia, bem perto da casa mãe e com gastos certamente menores que a outra auto denominada “Casa da Autonomia”,  a montar na ilha de São Miguel, sobre a qual já nos referimos aqui nesta coluna. 
Continuamos a partilhar da mesma opinião. É um erro crasso esta “Casa da Autonomia” se fixar em são Miguel até porque, de acordo com o  Plano e Orçamento para 2015, estão previstos  3 milhões de euros de investimento... um absurdo. 
Aqui na Horta nem metade desse valor se gastaría, para além claro, da lógica que há em ter aqui um Museu desse calibre. 
Outro registo positivo é a intervenção ao nível das coberturas,  que está a ser realizado desde de Julho, no edifício sede da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.
Ao que apurámos esta intervenção está a ser levada a cabo com o acompanhamento do autor do projeto original, arquiteto Correia Fernandes.
Depois de anos ao abandono, a verdadeira Casa da Autonomia começa a recuperar e a preparar os seus 25 anos, que terá lugar no dia 15 de Julho de 2015.
Não seria a “cereja no topo do bolo” se o Governo Regional dos Açores, e não o Governo Regional de São Miguel, mudasse de ideias e implementasse o museu cá?

Parece-nos, pelo atrás exposto e por tudo o que já foi escrito a este respeito, que a decisão mais assertiva seria essa mesmo. 

O adeus a Madruga da Costa

Alberto Romão Madruga da Costa será sempre lembrado como uma figura ilustre da nossa terra e dos Açores. 
Quinze dias que passam do seu prematuro desaparecimento, cabe-nos, enquanto jornal desta terra, prestar uma singela homenagem àquele que foi o presidente do Governo Regional dos Açores e presidente da então Assembleia Legislativa dos Açores. Era cooperante e fundador da cooperativa que é proprietária do Jornal Tribuna das Ilhas, entre muitos outros cargos. 
Político respeitado, cedo lhe reconheceram a vontade de considerar a opinião dos outros para construir um futuro bom para a sua ilha, para os Açores e para Portugal. 
Reconhecido por todos como um defensor incansável da Autonomia foi designado como um dos “patriarcas da Autonomia”.
Como referiu Cavaco Silva, “todos os portugueses - e os açorianos, em particular - devem homenagear a memória de um homem bom, uma personalidade de carácter que dedicou a vida em prol dos seus concidadãos”.
“Personalidade conservadora, homem sério e culto, deu um muito sério contributo à consolidação do sistema constitucional da Autonomia”, escreveu Decq Mota, ex-líder do PCP.
Carlos César disse que “nunca virou as costas ao combate político mas nunca tolerou a sua confusão com o ataque pessoal e as demonstrações de falhas de caráter. Foi um adversário leal e um grande açoriano”.
Alberto Romão Madruga da Costa será, sempre, uma referência para a Autonomia dos Açores e um exemplo para a social democracia açoriana de defesa intransigente da livre administração dos Açores pelos açorianos, mas também de afabilidade, respeito pelo próximo, abertura e tolerância no debate político.
Nos três dias de luto regional que foram instituídos por ocasião do seu falecimento, muito foi escrito e dito sobre Alberto Romão Madruga da Costa.
Um homem que marcou um tempo. Um grande exemplo e modelo de referência que fica como um legado que deve inspirar a ação das gerações mais novas.

Como escreveu José Andrade, “Madruga da Costa foi um “Comendador da República Portuguesa” mas preferia continuar a ser um “Freguês das Angústias da Horta”…”
Aos poucos vão desaparecendo, para grande pesar nosso, grandes figuras da nossa história. Cert é que novas figuras se estão a formar, mas há que enaltecer e não deixar esquecer, aqueles que foram as pedras basilares da nossa região.

À família endereçamos os nossos sentimentos de pesar. 

Olhar o DOP

O Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores tem desempenhado um papel fundamental é pertinente na história do Faial e dos Açores.
Trata-se de uma instituição de referência em Portugal ao nível da investigação científica, que depois de vários anos de indefinição se firmou no panorama internacional.
Conforme pudemos constatar na entrevista concedida por Helder Silva, o Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores tem desenvolvido projectos científicos de excelente qualidade, reconhecida internacionalmente, em áreas passíveis de cooperação no âmbito desta aliança de investigação transatlântica, nomeadamente ao nível da observação oceânica, gestão sustentável dos recursos e cartografia dos fundos marinhos.
É de destacar o projecto na área da observação oceânica, denominado Rede de Monitorização do Oceano e financiado pelo governo canadiano, no âmbito do qual o DOP-UAç desenvolve estudos de telemetria acústica de grandes pelágicos, bem como os diversos trabalhos de cartografia dos fundos marinhos em torno dos Açores, destinados à caracterização dos ambientes de grande profundidade e localização de ecossistemas marinhos vulneráveis. De destacar porque se trata de um dos muitos projetos que este departamento desenvolve em parceria com entidades internacionais.
Numa altura em que governantes, locais, regionais e mesmo nacionais e europeus usam o mar como bandeira de campanha, parece-nos que o facto de terem sido reduzidas as verbas para aquele departamento é preocupante.
A falta de verbas condiciona em muito a atividade dos cientistas do DOP, aliás, faz com que metade deles tenham que se ir embora.
É assim importante que as entidades oficiais olhem para o Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, sobretudo agora que se fala na instalação da escola de marítimos no Faial com olhos de ver....

Os apoios não podem faltar, senão corremos o risco de ver grandes projetos irem por água abaixo... Passe o pleonasmo...

O futuro dos OCS

Não vamos aqui falar de projetos para 2015 até porque isso já foi feito na edição da passada semana, mas vamos sim refletir sobre o que nos espera, a nós Órgãos de comunicação social, porque este ano ainda agora começou e já se está a revelar difícil.
Na sua última crônica de 2014 do diário insular, o caro colega Osvaldo Cabral punha o dedo numas quantas feridas que flagelam os media da região.
A falta de profissionais, a falta de financiamento próprio e a falta de apoio são os três vértices desta crise na imprensa regional.
A verdade dos factos, a verdade nua e crua é só uma: não há dinheiro.
A crise, tão apregoada e que serviu de mote a milhares de discursos quer políticos quer do cidadão comum também afecta, é muito, a comunicação social, ao ponto de alguns OCS terem dispensado, na última década, mais de 75% dos seus jornalistas e optado por recorrer aos programas governamentais de estágio, mormente o estagiar L e T ou mesmo o estagiar U para cobrir férias neste último caso.
É impossível, sem a entrada de dinheiro nos cofres das redações e respectivas administrações, que se mantenham quadros especializados e maduros. Todos nós sabemos que os anos de serviço contam para a progressão na carreira e isso implica maiores salários. Ora bem, as empresas neste momento, pura e simplesmente não podem pagar.
E não podem pagar porquê? Porque os empresários a investir em publicidade diminuiu drasticamente, porque os novos empresários viram na internet uma oportunidade de negócio, deixando de recorrer aos jornais para anunciar os seus produtos, optando pelas redes sociais...
A maioria dos jornais regionais já optou por estar On line, muitos deles a título gratuito, mas a verdade é que os milhares de blogs existentes na rede se tornaram quase co,o que virais e dificultam a vida de quem vive disto.
A par da falta de dinheiro também já vimos alguns jornais da nossa região fecharem portas, como o extinto Correio da Horta e mais recentemente A União, dois ícones da nossa imprensa...
A juntar a esta falta de verba, o facto do Governo Regional usar, sem pingo de vergonha, de dois pesos e duas medidas no que à atribuição de publicidade institucional diz respeito.
Temos vindo a assistir a situações que são de bradar aos céus. Surgiram no panorama regional OCS do nada.... Que, de um dia para o outro, são tidos como mais credíveis do que os que já andam há anos e com provas dadas, edição após edição, e que, por isso, absorvem toda a publicidade institucional. Isso está deveras mal.
É preciso analisar se tiragens, analisar se peças, e qualidade dos trabalhos levados a cabo nas respectivas áreas de intervenção... Um OCS que se limita a reproduzir notas de imprensa não é um OCS, é um gabinete de imprensa camuflado é pago a preço de ouro.
Esta recente polêmica em torno do pagamento do Promedia é ridícula. Como pode o estado pura e simplesmente, de um mês para o outro vir dizer que não tem dinheiro para cumprir aquilo com que se comprometeu, hipotecando assim, a vida é o posto de trabalho de umas quantas, ainda que poucas, famílias açorianas?
Orientem se senhores. Orientem se ou qualquer dia estamos sugados de comunicação social e, mal ou bem, com muitos ou poucos profissionais, somos nós quem dá eco do que os nossos governantes, eleitos pelo povo, vai fazendo. O vosso prestar de contas à população acontece através das nossas linhas...

Fica a dica.